
Eu sei que todos os anos é a mesma história na altura das votações: “O quê? Doze pontos para aquela porcaria? Bem se vê que são vizinhos!” e outras coisas que tal… mas sempre que ouço a musiquinha que antecede a transmissão do Festival Eurovisão da Canção esqueço isso tudo por momentos e agarro-me à esperança de que o povo este ano vote, pelo menos um bocadinho, tendo em conta a qualidade das músicas e não unicamente o seu passaporte.
Aviso: não sou o que se considera uma “eurofã”, pelo que, à excepção da música portuguesa, a primeira vez que vi/ouvi as canções foi nas semi-finais (e assim é que deveria ser, para a coisa ser um bocadinho mais justa) e também não sei nomes praticamente de ninguém, não sou como muita gente nos fóruns que parece que conhecem aquela gente toda desde os tempos da escola primária. Eu cá só gosto de comentar, pronto.
Posto isto, comentários à final de sábado:
1. Azerbaijão: consta que a moça andou a fazer grande promoção, mas aquele “vestido pirilampo” não impressionou.
2. Espanha: actuação marcada pelo intruso Jimmy Jump, que se imiscuiu na coreografia e obrigou os seguranças a entrar no palco. Ainda atónita pelo que tinha acontecido, juro que estive largos segundos convencida de que o senhor que entrou para fazer apoio vocal também era um penetra, ainda por cima tinha um fato e cabeleira parecidos com o do artista principal… pensava que era mesmo a gozar. Apesar do cantor e bailarinos não se terem desmanchado, foi justo que pudessem repetir prestação no final de todas as outras. Cada bailarino a fazer a sua coisa criou demasiada confusão visual no palco.
3. Noruega: apesar do bom ar do intérprete e do crescendo espectacular da canção, ficou a sensação de faltar qualquer coisa.
4. Moldávia: apenas gostaria de constatar que a coreografia do saxofone é deliciosamente tolinha, nada mais.
5. Chipre: Boa prestação, música cativante, mas notou-se cansaço progressivo na voz.
6. Bósnia Herzegovina: gostei do solo da guitarra e do jogo de luzes, pouco mais.
7. Bélgica: música querida e bem executada, com sentimento, dá para ver perfeitamente que é tudo obra do cantor.
8. Sérvia: o Castelo Branco lá do sítio… honestamente meteu-me um bocado de medo, para além de não ser nada de especial vocalmente.
9. Bielorrússia: muita desafinação e as asas abrem tão abruptamente que me faz um bocado de impressão.
10. Irlanda: a melhor parte é, sem dúvida, a flauta, a voz não impressionou e desafinou.
11. Grécia: Opa! Sim, a música não tem grande ciência e as roupas brancas com botas pretas é o cúmulo do ser azeiteiro (diz que a Grécia tem bom azeite, não é?), mas a música fica no ouvido e, acima de tudo, tem bailarinos com tambores pirotécnicos! Lol E o intérprete, apesar de pouca química com a câmara, tem um certo charme…
12. Reino Unido: canção “feel good”, mas sem entusiasmar e com um cansaço notório ao longo da música.
13. Geórgia: a cantora aguentou a parte vocal muito bem, tendo em conta a quantidade enorme de dança que por ali andou.
14. Turquia: Vá, a banda até não foi má de todo, mas a robocop pirotécnica não lembra a ninguém.
15. Albânia: não aprecio particularmente o timbre da intérprete e, apesar da boa interpretação, também não me entusiasmou muito.
16. Islândia: apesar de achar a batida de fundo um bocadinho pesada demais, a intérprete teve uma prestação irrepreensível. Gostei do contraste cénico entre o vestidão da cantora e os vestidinhos mais fluidos das moças do coro.
17. Ucrânia: mensagem completamente depressiva e mórbida, mas muito boa interpretação.
18. França: e vamos lá ver o futebol! Claramente uma música para o mundial e para ver os bailarinos abanar as ancas e despir camisolas!
19. Roménia: muito boa interacção entre os cantores, muito boa interpretação, só não sei se gosto 100% do timbre dela. O facto de ter passado a actuação toda a olhar-lhe para a boca e a tentar lembrar-me com quem é que ela se parecia (Isabel Angelino) também não ajudou, mas no fim de contas, gostei.
20. Rússia: é que não tem ponta por onde se pegue, deprimente, fraco na afinação, fraco no inglês e acaba numa confusão de sons indescritível. É caso para dizer “Lord, have mercy!”
21. Arménia: Ora bem, o que dizer sobre uma canção sobre o pêssego, que é o fruto nacional, com um caroço de pêssego gigante em palco e o primeiro plano das câmaras a começar descaradamente no peito esborrachado da cantora? Humm…
22. Alemanha: a música é queridinha, a Lena é fofinha mas aquele visual foi mesmo “à alemã”, risco preto nos olhos, batom vermelho escuro, cordão preto ao pescoço e tatuagem muito pouco elegante no braço. A música não cresce para lado nenhum e a prestação vocal também não me diz grande coisa.
23. Portugal: a Filipa teve mais controle na semi-final, mas não houve problemas a assinalar, o coro foi um óptimo apoio e o trabalho de câmaras também esteve bem.
24. Israel: gostei muito da primeira metade da música, quando começa a gritar estraga e desafina tudo.
25. Dinamarca: duo com pouca química, musicalmente já muito visto. Quando os primeiros países começaram a dar-lhes pontuação máxima quase que desligava a tv…
Vencedor: Alemanha, Lena, Satellite. Aqui na Alemanha toda a gente idolatra a rapariga, porque é uma pessoa normal, porque é fofinha, porque porque… mas convenhamos que a música não sai do mesmo e a Lena também não tem voz nenhuma do outro mundo. E o sotaque pseudo-british realmente começa a incomodar. Enfim, como muitos dizem, pelo menos a Alemanha terá dinheiro para organizar a festa…
Prestação de Portugal: controvérsias à parte, notaram-se grandes melhorias desde a apresentação da música no Festival em Portugal. Sinceramente, mesmo que tivesse ido a música da Catarina não sei se conseguíamos muito melhor colocação… o problema está no tipo de músicas que escolhemos, mas também na (falta de) promoção da mesma. A questão dos vizinhos e diáspora também é válida, obviamente... mas há-de ser sempre assim. Como li em qualquer lado, o mais justo (e impossível) era só se saber de que países são as canções depois das votações…
Comentador português: Tem um timbre de voz muito agradável, mas dali só saiu asneira, desde má pronúncia inglesa, a chamar outros nomes aos intérpretes, más traduções, falta de informações… confrangedor. Se eu estivesse no lugar dele, a primeira coisa que fazia mal chegasse a Oslo era ir ter com as várias delegações e pedir-lhes para me ensinarem a pronúncia correcta dos seus nomes e respectivas canções (fez-me lembrar os comentadores a tentarem dizer os nomes chineses aquando dos últimos Jogos Olímpicos na China… passei o tempo todo aos berros à televisão).
E sim, este ano, pela primeira vez, votei. Por duas razões: porque estava no estrangeiro e podia votar na canção portuguesa e porque a dita canção não foi das piores que se viram. Se fosse no ano da Sabrina ou das NonStop, por exemplo, daqui não levavam dinheirinho nenhum.
Cá estaremos no próximo ano para vibrar, sofrer e apreciar as canções e depois para maldizer as votações, como já é tradição.
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